06/02/2006

Os bastidores

Quem pega um livro para ler deve ficar curioso para saber como é o dia-a-dia de sua elaboração. Enquanto estamos lendo, imaginamos o que se passou pela cabeça do autor para fazer aquela ou outra cena. Onde estava, o que sentia enquanto produzia os capítulos são curiosidades comuns dos leitores.

Não sei se vou quebrar o encanto, mas minha rotina não é nada muito fora do comum. Escrever um livro precisa de planejamento. Primeiro escolher um tema, discernir o perfil dos personagens e ter uma idéia do que será o começo, o meio e o fim. Na rotina diária, ele será aprofundado.


Nos momentos vagos, eu organizo na minha cabeça o que acontecerá com meus personagens nos próximos capítulos. Mas a densidade de cada cena surge na hora de colocar os dedos sobre o teclado. Entra aí o dom da fantasia, da criação, do processo de sonhar.


Simplesmente penso na cena, visualizo bem, me concentro, deixando de lado toda e qualquer ligação com o mundo a minha volta e desligo a tomada da realidade. (Quantas comidas já não queimei por conta disso!).

Chego a tal ponto da abstração, que eu me vejo apenas descrevendo o que ouço meus personagens dizem na minha cabeça. Parece que meus dedos são guiados pela cadeia de idéias, de falas, de visões sem que eu possa controlar.

Verossimilhança

Muitas pessoas já me falaram sobre a capacidade que tenho em narrar de tal forma as cenas que elas se sentem nos lugares onde ocorrem. Esse é o ponto em que qualquer escritor gostaria de chegar, fazer o que está na sua cabeça rodar como um filme na mente do leitor. Mas nem sempre a descrição é o foco, gosto muito dos diálogos. Escrever uma conversa entre os personagens para mim é a melhor parte.

Trilha da criação

O que ouço quando escrevo? Tem quem goste de trabalhar com música ambiente. Eu me desconcentro um pouco. Porém, se o dia está de total falta de idéias, eu preciso procurar uma fonte de inspiração. Ligo uma música, fecho os olhos e tento relaxar. Atualmente, estou vendo alguns vídeos na Internet. Desse modo, eu me deixo sensibilizar e pronto, algum ponto dentro de mim se conecta com meu “eu” escritora. Depois disso, eu prefiro o silêncio para escutar meus personagens.

Mas, algumas cenas muito emocionantes, que tiveram uma carga forte, foram escritas no ritmo de alguma música significativa pra mim. O livro “O amor está no quarto ao lado” teve bastante disso.

A melhor hora pra escrever

O melhor momento é quando há tempo. Minha vida é muito corrida mesmo, cheia de atividades, então, se surge uma brecha, não posso desperdiçar. Se pudesse escolher, diria que a noite. Gosto da quietude da madrugada, consigo mergulhar melhor na trama. Às vezes, paro, fico olhando a tela por alguns minutos, esperando a palavra que quero vir para descrever exatamente o que desejo. De repente, ela chega e volto ao ritmo dos dedos acelerados pelas teclas. Sim, escrevo muito rápido. Procuro ter cuidado com a tendinite.


Canto da autora

Sobre o lugar... Bom, mudei recentemente para um apartamento. Até “Amor de Alto Risco”, escrevi em uma pequena sala de estudos. Lá, havia um computador grande e preto com uma tela grande, prateleiras com livros e papéis, flores brancas ao lado do monitor, porta-retratos de pessoas queridas, canetas, muitas pastas, pilhas de revistas, telefone, CDs etc.

Agora, moro em um lar muito menor. Meu cantinho de escrever está mais clean. Alguns cadernos de anotações, canetas, calendários, fotos e meu computador. Mas, como ele agora é portátil, sento no sofá para escrever e, depois, conecto na rede para publicar, no quarto.

Já já conto mais! Beijos.

Nenhum comentário: